Saturday, May 31, 2014

27 de Maio

Uma História Sobre Você

Você acorda no chão, em um quarto que não é o seu. Seus olhos mal conseguem ser abertos mas você sabe que aquele não é seu quarto, aquilo não é um sonho
 Onde está sua cama? Onde está sua mesa de cabeceira que você deixa o celular para ver as horas...
Que cheiro é esse? 
As perguntas pulsam na sua cabeça tão intensamente que você mal consegue pensar. A luz daquele quarto é forte... Forte de mais, você não pode enxergar nada, mesmo que pudesse abrir um pouco seus olhos.
Está tudo branco. È assustador.
Você tenta se mover, mas não consegue, seus braços estão dormentes, existe alguma coisa que está te prendendo...
Que cheiro é esse? 
Você tenta abrir a boca mas não consegue.Sente uma pressão estranha, algo metálico, frio contra seus lábios, algo que te impede de falar. 
Onde você está?
Que lugar é esse? 
Ficar de pé é uma luta, uma dor que você não sabia ser possível existir dentro de você. Expande-se como um balão das suas pernas até a ponta de seus dedos dormentes e seu corpo grita silenciosamente em sua boca fechada de pura dor.
Como isso pode acontecer com você?
Você lembra-se de ter dormido em casa, com o amor de sua vida ao seu lado, na casa que você acabam de comprar. Você tinha que ir para casa, vocês ia arrumar o jardim hoje... O que estava cheio de ervas daninhas e a grama toda bagunça , vocês iam comprar um gato... Ou era um cachorro? 
Você se perde nas suas memórias e por um segundo esquece da dor que consome seu corpo, equilibrando-se nos pés doloridos você tenta andar e um grito se forma em sua garganta.
Um som seco rasga sua garganta, é uma dor infernal, como se o grito fosse empurrado de dentro da sua alma e estivesse agarrado com unhas demoníacas dentro de você. O som ecoa pelas paredes vazias do quarto sem janelas.
Por que você está em um quarto sem janelas?
O grito silencia e algo lhe chama atenção. Primeiro é baixo, calma depois cresce...
Haviam passos lá fora? 
Têm mais alguém ai? 
Por que você não pode mexer seus braços?
Você grita outra vez.  
Dessa vez com o som, você pode sentir o sabor de sangue nos teus lábios, e você finalmente abre os olhos por completo.
Seu coração para.
Só uma porta 
É frio...  Tão claro... Não existe nada além do seu corpo frágil e sua dor... Mas... Havia cores... Pequenos pontos vermelhos espalhados nas paredes... Tão vividamente vermelhos...
Por um surto de coragem e curiosidade, você resolve mover-se. A dor é agonizante mas você não pode parar.  Devagar você se aproxima e percebe que são mais que pontos... São manchas... Manchas de ...
Seu estomago da uma volta, ele percebe antes de você o que são aquelas manchas. Você sente um gosto terrível inundar sua boca, ácido, amargo, metálico, você cospe através das barrinhas de metal frente a sua boca ...
Uma poça vermelha e amarelada se espalha no chão. Você se afasta daquilo tremendo...
Por que você esta vomitando sangue? 
Contra a parede acolchoada, você escuta um tumulto. O som cavlaga até seus ouvidos. Sua cabeça não esta doendo, aquilo que você sente vai além do que você considera dor.
Memórias de coisas que você jamais viveu inundam sua mente e você s afoga nelas.  Um rosto que não é seu refletido no espelho. Amarras, camisas de forças, injeções...
Você está enlouquecendo. Alucinando de dor.
 O desespero toma seu corpo e você grita por socorro. Pr ajuda... Qualquer coisa.
A porta é aberta.
Homens vestidos de branco entram no quarto tapando-lhe os olhos e segurando-lhe seu braço.
Ordens são berradas por todas a partes.   Coisas que você não entende ecoam na sua cabeça.
Por que estão falando coisas sobre crise? E sobre horários? O que é um sedativo?  Por que tantos gritos?
É você que está gritando e se debatendo assim? Por quê?
Por quê?
Por quê? 
Uma dor violenta te faz gritar outra vez, alguma coisa perfurou teu braço, uma sensção agoniante faz sua voz ficar mais alta,  algo novo corre em seu sangue, é como fogo liquido lambendo seu corpo por dentro.
Você tem certeza que você vai morrer...
Você precisa morrer...
Você não aguenta mais...
Então você acorda outra vez, em sua cama, com seu grande amor segurando sua mão, o jardim lá fora, sendo encharcado pela chuva, o confortável cheiro de terra molhada te faz sorrir.
Tudo de volta ao lugar certo. 
Era só um sonho... 
Só um sonho...
Um sonho...
Mas então...

Por que você não consegue mover os braços? 

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