Saturday, May 31, 2014

24 deMaio

Os Sete

Oásis.

Era a primeira sexta-feira do mês, um dia ensolarado e cheios de expectativas estava no ar...
Flor estava sentada no jardim de casa roendo os dedos, tentando controlar-se. Havia semanas que ela observava o rapaz misterioso da casa ao lado, ele sentava no muro e olhava para ela, e ela sentava na varanda dos fundos e olhava para ele... 
Naquele ritmo ela falaria com ele em mais ou menos vinte anos... 
Mas havia algo naquele dia... Naquela sexta-feira a loja que os vizinhos estavam construindo, arrumando, decorando, organizando e obviamente, promovendo como loucos ia ser aberta. Essa seria a desculpa ideal. Ela poderia ir lá, falar com ele, descobrir o nome dele, ficar amigos e quem sabe... Um dia...
Ela sacudia a cabeça enquanto se arrumava, uma garota podia sonhar, não podia?   Observando o armário Flor deixou-se divagar sobre o que iria vestir...
Ela estava indo ao Oásis.  O lugar que antes era uma sapataria de um homem velho e chato agora era um café.   Decorado em cores bem quentes, vermelho escuro, dourado, marrom... Pelas espiadas que ela deu quando passava para fazer uma entrega ou outra pode ver as cadeiras de ferro fundido branco espalhadas por onde costumava ser a vitrine da loja. Era simples e delicadas e davam um ar de... Férias de dezembro para o lugar.  
Flor impressionou-se mesmo com o lago artificial que eles criaram  para colocar as mesas em volta. Havia palmeiras feitas de mangueiras de luz, uma pequena ponte sobre o lago, poofs e espreguiçadeiras cobertas de almofadas de cores quentes.
A casa velha, que estava abandonada, agora realmente parecia um Oásis mesmo... 
E se o aspecto do lugar não fosse o suficiente para chamar a atenção de TODO mundo, a garota de longos cabelos dourados estava andando pela rua com uma roupa marroquina, pelo centro distribuindo folhetos e chamando as pessoas para irem conferir o lugar.
Ela era simpática com todos enquanto distribuía os panfletos, ela sorria levemente o jogava os cabelos dourados de um lado para outro e pedia com tanta delicadeza, com tantos sorriso e risinhos que ninguém conseguia dizer não a ela... Nem mesmo Flor.
Era uma espécie de transe quando qualquer pessoa olhava para ela, e toda e qualquer pessoa que conversasse com a jovem de cabelos dourados, esteve lá na frente do Oásis. 
A maioria eram homens, mas havia mulheres também, alguns buscavam a garçonete outros apreciavam o lugar, mas Flor sabia que havia apenas uma pessoa, buscando aquele rapaz misterioso... Ela mesma. 
Flor foi recebida pelo jovem tatuado, que se aparentou como Kael, ele a levou a uma mesa e disse que logo um dos garçons estaria ali para atendê-la.
 Kael também disse que o lugar era um ambiente familiar e que ele estava muito feliz em ver a vizinha. E que o pedido dela ficaria por conta da casa. 
Flor sorriu e entregou a ele a rosa lilás que havia trazido, na verdade, trouxera duas rosas, uma para quem a recebesse, outra para quem a atendesse. Kael agradeceu e retirou-se, Flor ficou sentada, segurando uma rosa azul. 
Distraída com a decoração ela mal percebeu um par de pernas ao seu lado. 
- Boa tarde, bem vido Oásis, meu nome é Boris, vou ser seu garçom. 
Então  os dela encontraram os olhos dele. 
- O...Olá. 
Boris sorriu e flor levantou-se desajeitada, o rapaz misterioso tinha um nome... E um belo sorriso, e cheirava tão bem... 
- E-eu sou a vizinha de você, da floricultura... Trouxe isso... - ela o ofereceu a rosa e ele sorriu abertamente para ele, colocando a rosa em seu uniforme - Ficou legal...
- Obrigado. Você tem nome? - ele questionou amigavelmente. 
- Flor.
- E você trabalha em uma floricultura... - ele ergueu a sobracelha e ela corou. 
- Sim...
- Faz sentido, vou deixa-la com o menu, e volto em alguns minutos, para você ter tempo de decidir.
- Mas eu já sei o que eu quero. 
- Já? 
- Claro. Quero o doce preferido do meu garçom. 
- Boris. - ele disse em tom informativo, mas Flor sabia o nome dele, e não esqueceria tão cedo. Ele sorriu e acenou a cabeça - Feito, volto já. 
A tarde passou rápido de mais para Flor, que conversou com todos os donos do Oásis, e sentiu-mal por não ter tantas flores para entregar-lhes.
A jovem de cabelos dourados, chamava-se Primia, era tão humilde quanto era linda, ela era irmã gêmea de Gawen, o jovem de cabelos cor de fogo, ele falava pouco, mas interessou-se pelas rosas azuis que Flor cultivava.
Cornélia, a moça com cabelos platinados e um ar de mau humor também era bem divertida, mas ficava mais na cozinha, junto com Lucien e Alessandra, o casal que vira quando eles se mudaram. 
Quem de fato ficou falando com Flor mais tempo foi Kael, ele parecia ser o mais jovem, tinha os braços tatuados e os cabelos muito escuros, o rapaz falava de mais e nunca estava quieto. Antes mesmo de que Flor o percebesse, já a puxara para caminhar pelo estabelecimento e escolher algo para levar para tomar no café, para dar a sua mãe para comer antes de dormir...
Cheia de caixas na mão e com o céu escuro sobre ela, Flor foi para casa, ela sentou-se na varanda com um chá e ficou observando o movimento ir aumentando no oásis... Uma pena pensou ela, o rapaz misterioso, não poderia mais sentar no muro... Estava muito ocupado agora... Mas ela viu algo mexer nos arbustos e um sorriso brilhou na direção dela... 
As bochechas de Flor ficaram vermelhas e ela acenou de volta para Boris. 

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