Monday, May 26, 2014

21 de Maio

Coletânia de frases do livro:
 O Menino do Dedo Vede.


Página 8 

Isto prova simplesmente que as idéias pré-fabricadas são idéias mal fabricadas, e que as pessoas grandes não sabem mesmo o nosso nome.
Quando a gente veio à terra com determinada missão, quando fomos encarregados de executar certa tarefa, as coisas já não são tão fáceis. As idéias pré-fabricadas, que os outros manejam tão bem, recusam-se a ficar em nossa cabeça: entram por um ouvido e saem pelo outro, e vão quebrar-se no chão.

Página 19
A preocupação é uma ideia triste que nos comprime a cabeça ao despertar e permanece ali o dia todo.

Página 23
Como descrever os bigodes de Bigode? Uma das maravilhas da natureza.
Tão amável e falante quanto um cabo de enxada.

Página 30 
"É preciso vigiar de perto este menino; ele pensa demais!"

Pagina 31 

É claro que sonho é sonho, e não devemos dar aos mesmos uma importância exagerada. Mas ninguém pode evitar os sonhos.

Página 32 

Uma ideia que se instala em uma cabeça em breve se torna uma resolução. E uma resolução só nos deixa em paz quando a pomos em prática. Tistu percebeu que não poderia mais dormir antes de executar o seu plano.

Página 35 

As pessoas grandes têm a mania de querer, a qualquer preço, explicar o inexplicável.
Ficam irritadas com tudo que as surpreende. E, logo que acontece no mundo algo de novo, obstinam-se em querer provar que essa coisa nova se parece com outra que já conheciam há muito tempo.
Se um vulcão se extingue calmamente como um cigarro, eis logo uma dúzia de sábios com lunetas debruçando na cratera, escutando, cheirando, descendo por meio de cordas, esfolando os joelhos, enchendo tubos de ar, fazendo gráficos, discutindo, em vez de constatar simplesmente: "Este vulcão parou de fumegar; deve estar de nariz entupido!"

Página  36
Mas se existe uma infinita Variedade de flores, em compensação só conhecemos três espécies de botânicos: os botânicos ilustres, os botânicos afamados e os botânicos eminentes. Eles se cumprimentam chamando-se: "Senhor... Senhor Professor... Meu prezado confrade..."

Página 37 

— Ginástico, escuta bem o que vou te dizer e não repete a ninguém — disse Tistu certa manhã ao encontrar-se com o pônei.
Ginástico mexeu com a orelha.
— Descobri uma coisa extraordinária — disse Tistu em voz baixa. — As flores não deixam o mal ir adiante.

Página 38
A gente se habitua a tudo, mesmo às coisas mais estranhas.

Pagina 40

De acordo com o seu discurso, a miséria devia ser uma horrível galinha negra, de olhos ferozes, bico adunco, de asas tão grandes quanto o mundo, chocando continuamente horrendos pintinhos. O Sr. Trovões os conhecia todos pelo nome: havia o pinto-roubo, que se apoderava das carteiras dos transeuntes e assaltava os bancos; o pinto- embriaguez, que tomava um aperitivo atrás do outro e acabava caído na sarjeta; o pinto-vício, sempre à espreita de qualquer coisa desonesta; o pinto-crime, sempre de revólver na mão; o pinto- revolução, sem dúvida o pior de todos...

Página 44

— Para a gente saber se é infeliz, é preciso primeiro ter sido feliz.
Tistu compreendeu que a tristeza do hospital estava escondida nesse quarto, na cabeça da menina. Ele também estava ficando muito triste.

Página 45 

— Aprendi — respondeu Tistu — que a medicina não pode quase nada contra um coração muito triste. Aprendi que para a gente sarar é preciso ter vontade de viver. Doutor, será que não existem pílulas de esperança?
O Dr. Milmales ficou espantado com tanta sabedoria num garoto tão pequeno.
— Você aprendeu sozinho a primeira coisa que um médico deve saber.
— E qual é a segunda, Doutor?
— É que para cuidar direito dos homens é preciso amá-los bastante.
Página 56

Numa guerra, todo mundo perde alguma coisa.
Pãgina 77
— Chora, Tistu, chora — dizia Ginástico. — É preciso. As pessoas grandes não querem chorar, e fazem mal, porque as lágrimas gelam dentro delas, e o coração fica duro.

Página 78 

— Você já sabe, Ginástico...

— Sim, eu sei — respondeu o pônei. — Você descobriu que amorte é o único mal contra o qual as flores nada podem...

E, como o pônei era um moralista, acrescentou:
— É por isso que os homens são muito tolos ao procurar sempre judicarem uns aos outros, como fazem constantemente.


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